Receio que a sociedade e as autoridades angrenses estejam focando em temas permanentes, mas em objetivos esporádicos e pela raia miúda, ao invés de se aprofundar no diagnóstico realmente necessário, e de onde poderão ser extraídas linhas estratégicas de ação pelo bem do município. Outrora discutiu-se o transporte alternativo na cidade, de modo atabalhoado, tendo a pretensão dos 'vanzeiros' sido sepultada. Os taxistas reclamaram, e levaram a melhor. Vez e sempre usuários reclamam da qualidade do transporte coletivo urbano e dos serviços prestados pela empresa Senhor do Bonfim que, por sua vez, gasta uma baba com campanhas publicitárias pra transmitir uma mensagem diferente dessa percepção popular. Agora, não mais que derrepente outra grita ganha as ruas da cidade e os holofotes do poder, o serviço de transporte dos moto-táxis. Se for para continuar fragmentando a agenda, leva a melhor quem tem mais força no cabo de guerra, e a sociedade fica alijada do processo. E isso configura crime. Longe de apontar razão para um lado qualquer, sugiro que o Governo angrense, juntamente com os vereadores promovam uma 'Conferência do Transporte Público Municipal'. À mesa, que se ponha (caso hajam) os Estudos de Impacto Social, Ambiental e Populacional para os próximos 20 anos, no mínimo, com as novidades econômicas para a região. Nessa Conferência, então, seria reativado o Conselho Municipal dos Usuários de Transporte Coletivo no município, e todos os setores da sociedade que se organizam pela disputa desses serviços apresentariam as suas demandas. Creio que o Resultado Final dessa Conferência apontaria ações planejadas e estratégicas para as autoridades angrenses. Há questionamento nos afretamentos também. A Concessão desses serviços é uma outroga dada pelas autoridades municipais, em nome da sociedade angrense que, insatisfeita pela ausência de espaços para discutir a qualidade desses serviços prestados, pode ingressar com Ação Civil Pública e pressionar também o Ministério Público de Direitos Difusos para que assuma a responsabilidade pela abertura de um diálogo social pela qualidade desses serviços de concessão pública. Suprimir ao menos o direito do debate aberto é a medida mais agressiva, autoritária e pouco inteligente. Com um debate transparente e conduzido com isenção, ganham todos.
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