DIRETO DA ALEMANHA
da postagem anterior com o tema:
"ANGRENSE NA ONU"
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15h17min.
CORRESPONDÊNCIA
INTERNACIONAL
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Brasil é vaiado durante a CDB, ao defender que “princípio da precaução não
deve ser aplicado aos Agrocombustíveis”.
deve ser aplicado aos Agrocombustíveis”.
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Bonn, 20.05.08. O Brasil, como já havia sido anunciado à sociedade civil,
decidiu aceitar discutir, no âmbito da Convenção sobre Diversidade
Biológica, o tema dos impactos dos agrocombustíveis à biodiversidade. No
entanto, sua primeira intervenção sobre o assunto não poderia ter sido
pior.
O Governo Brasileiro afirmou que a produção de Etanol no Brasil é
sustentável do ponto de vista ambiental e gera “1 milhão de empregos
diretos, e pelo menos 4 milhões de indiretos”, e que no contexto da crise
alimentar atual, “o etanol gera empregos e renda para que estes
trabalhadores possam comprar alimentos”. Além disso, a fala do Brasil
teve outras afirmações questionáveis, como de que ´o cultivo de
agrocombustíveis promove a recuperação de áreas degradadas´. Logo após, no
auge da inconsistência das afirmações, defendeu que “o princípio da
precaução não deve ser aplicado à produção de agrocombustíveis”. Neste
momento, ouviu-se uma sonora e espontânea vaia do plenário.
Cabe lembrar que o princípio da precaução é um dos pilares da Convenção
sobre Diversidade Biológica, e está totalmente incorporado à legislação
nacional. No âmbito internacional, o Brasil sempre foi um de seus maiores
defensores.
O Governo brasileiro parece acreditar que consegue jogar para baixo do
tapete os danos ambientais e sociais causados pela monocultura de cana no
Brasil. E pior: quer tornar a CDB mais um palco para fazer marketing do
etanol. Quando fala de “geração de trabalho e renda” associado ao corte
de cana o governo deveria ter mencionado também as mortes por
sobre-trabalho, os casos de trabalho escravo e as condições precárias do
trabalho migrante e sazonal, além dos acidentes de trabalho e
enfermidades.
A diplomacia brasileira parece ter perdido completamente a sensibilidade
política para entender o ambiente em que as negociações estão ocorrendo:
crise alimentar global, críticas à agricultura industrial feitas pela
própria ONU e denuncias crescentes no Brasil sobre os danos ambientais e
sociais das monoculturas. Se continuar assim, é melhor que se acostumem
às vaias.
Bonn, 20.05.08. O Brasil, como já havia sido anunciado à sociedade civil,
decidiu aceitar discutir, no âmbito da Convenção sobre Diversidade
Biológica, o tema dos impactos dos agrocombustíveis à biodiversidade. No
entanto, sua primeira intervenção sobre o assunto não poderia ter sido
pior.
O Governo Brasileiro afirmou que a produção de Etanol no Brasil é
sustentável do ponto de vista ambiental e gera “1 milhão de empregos
diretos, e pelo menos 4 milhões de indiretos”, e que no contexto da crise
alimentar atual, “o etanol gera empregos e renda para que estes
trabalhadores possam comprar alimentos”. Além disso, a fala do Brasil
teve outras afirmações questionáveis, como de que ´o cultivo de
agrocombustíveis promove a recuperação de áreas degradadas´. Logo após, no
auge da inconsistência das afirmações, defendeu que “o princípio da
precaução não deve ser aplicado à produção de agrocombustíveis”. Neste
momento, ouviu-se uma sonora e espontânea vaia do plenário.
Cabe lembrar que o princípio da precaução é um dos pilares da Convenção
sobre Diversidade Biológica, e está totalmente incorporado à legislação
nacional. No âmbito internacional, o Brasil sempre foi um de seus maiores
defensores.
O Governo brasileiro parece acreditar que consegue jogar para baixo do
tapete os danos ambientais e sociais causados pela monocultura de cana no
Brasil. E pior: quer tornar a CDB mais um palco para fazer marketing do
etanol. Quando fala de “geração de trabalho e renda” associado ao corte
de cana o governo deveria ter mencionado também as mortes por
sobre-trabalho, os casos de trabalho escravo e as condições precárias do
trabalho migrante e sazonal, além dos acidentes de trabalho e
enfermidades.
A diplomacia brasileira parece ter perdido completamente a sensibilidade
política para entender o ambiente em que as negociações estão ocorrendo:
crise alimentar global, críticas à agricultura industrial feitas pela
própria ONU e denuncias crescentes no Brasil sobre os danos ambientais e
sociais das monoculturas. Se continuar assim, é melhor que se acostumem
às vaias.
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IVAN MARCELO
Ambientalista, direto da Alemanha